Postado em Artigos. Por Geovane Belo. Em 10 de maio de 2009.
O ensino das línguas antes era exclusividade de uma classe privilegiada, que tinha acesso à cultura sofisticada. Tinha-se a impressão de que havia uma língua pura, e as demais eram transgressões da primeira. Entretanto, com as revoluções do pensamento, a escola modernista, os ideais de igualdade, o surgimento da linguística, de teorias como a semiótica, ocorreu uma “democratização” do ensino das línguas. As manifestações linguísticas das camadas populares, outrora abominadas por se desviarem da estrutura de prestígio, tornaram-se objeto instigante de análise revelando que as línguas eram organismos vivos, capazes de sofrer alteração no uso de seus agentes.
Hoje, as orientações pedagógicas alertam para essa democratização da língua. O aluno, independente de sua condição, precisa ser inserido e não excluído por sua linguagem. O conteúdo deve reproduzir os diversos níveis de aplicação da fala e da escrita, ainda que se reconheça que esta última modalidade exige, predominantemente, um uso mais padronizado, ao qual o falante precisa ter acesso na escola.
Por tais exigências é que o ensino deve ser investigativo, socrático, porque é através da pesquisa que o aluno pode entrar em contato com a língua viva, nos seus variados níveis, e, desse modo, entender a dinâmica do uso, as situações, os contextos, e assim intensificar suas competências comunicativas.
É nesse sentido que o papel do professor ganha maior destaque, porque é ele que vai selecionar os conteúdos, motivar e induzir o aluno a uma busca compartilhada pelo conhecimento. O educador não será apenas um avaliador dos resultados obtidos, pois o que se pretende não é fazer da investigação escolar um método burocrático de avaliação, sujeito a aplicação de pontos, mas um mecanismo de formação do sujeito, de reconstrução, de estender as capacidades lingüísticas do falante.
É através da pesquisa que o educando compreenderá a realidade em que está inserido, será acionada sua competência crítica. Deve ser levada em consideração a bagagem de linguagem que o mesmo carrega, e colocado à disposição os demais níveis, bem como a pesquisa deve aprofundar o conhecimento dos gêneros textuais e literários. Um aluno em constante aprendizado é aquele que é levado à experiência da pesquisa constante, formativa e não reprodutiva; participativa e não hierarquizante.
O conhecimento da língua não se dá pela transmissão mecânica de informações, mas pela pesquisa orientada e direcionada para as relações de utilização real, que refletem a vida. Argumentar, criar, poetizar, questionar, discordar são ações que exigem um apurado poder de manuseio da palavra. A evolução do processo de comunicação depende da interação com todos os meios. A pesquisa não é um método de o professor julgar o aluno, trata-se de uma via de acesso essencial para a escola inserir o educando na busca da eficiência e do saber universal. Não conduz só ao conhecimento da língua dita culta, mas lhe oferece habilidade para desenvolver a fala e a escrita a serviço do crescimento individual e social.






